Domínio: Expressões artísticas e manifestações de carácter performativo
Categoria: Manifestações musicais e correlacionadas
Denominação: Danças Rituais dos Pauliteiros nas Festas Tradicionais de Miranda do Douro
Contexto territorial:
Local: Município de Miranda do Douro. País: Portugal
Caracterização síntese:
Festas tradicionais mirandesas com danças rituais de pauliteiros. Estas oito festas – São Brás (Cércio), S. João Evangelista (Constantim), Nossa Senhora do Rosário (Palaçoulo, Póvoa e S. Martinho), Santa Bárbara (Cércio e Prado Gatão), Santo Isidro Lavrador (Quinta do Cordeiro) e Menino Jesus (Póvoa) - partilham entre si a participação de grupos de Pauliteiros Mirandeses executando danças rituais que se demarcam por completo dos âmbitos e limites da mera exibição folclórica que (também) caracteriza todos outros grupos de pauliteiros mirandeses.
Com efeito, assumem um protagonismo determinante e imprescindível para a estruturação de todo o ritual festivo, a saber:
1. Rondas de peditório pela aldeia no início do dia festivo, com pauliteiros e gaiteiros que vão de casa em casa, acompanhados pelos mordomos, fazer o convite/apelo ritual para a participação da comunidade (em Constantim acompanhados do careto, figura solsticial das mascaradas de inverno);
2. Presença ritual dos pauliteiros durante a celebração da missa festiva (dança de laços – reportório dos pauliteiros – como “Ato de Contrição”, também designado “Senhor Mio” e toques de gaiteiros como “Elevação da Hóstia”, “Queremos Deus” e “Miraculosa”) e participação ativa na procissão levando o andor do patrono ao som dos toques de gaiteiros (laços andantes das procissões, “Carmelitas” e “Águilas” e “Passacalhes de Procissão”);
3. Atuação comunitária no sagrado, executando os laços (danças) mais populares e característicos da povoação) encerrando a festa religiosa, para dar passagem à vertente lúdica/profana.
Tradicionalmente, assumiam grande importância os ensaios de preparação da dança na medida em que os grupos eram especialmente constituídos para se apresentarem na festa, cessando a sua existência após a conclusão da mesma. Eram momentos de vivência comunitária que reforçavam a coesão social da comunidade de jovens que naquele ano cumpriam a idade para serem submetidos à inspeção militar. Estas reuniões para a realização de ensaio e posterior seleção dos dançadores finais integravam o conjunto dos ritos de passagem inerentes à participação na festa patronal da povoação.