Ficha de Património Imaterial

  • N.º de inventário: PROC/0000000260
  • Domínio: Competências no âmbito de processos e técnicas tradicionais
  • Categoria: Manifestações artísticas e correlacionadas
  • Denominação: Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo
  • Contexto territorial:
    Local: Lugar das Petigueiras
    Freguesia: Santa Marta de Portuzelo
    Concelho: Viana do Castelo
    Distrito: Viana do Castelo
    País: Portugal
  • Caracterização síntese:
    A vela votiva de Santa Marta de Portuzelo, freguesia do município de Viana do Castelo, é um objeto original criado, em 1958, por Álvaro do Rego Sales Gomes, santamartense de origem com experiência no fabrico de adereços festivos em papel para as festividades religiosas de diversas freguesias do concelho vianense. A conceção da vela, a convite da Comissão de Festas da Romaria de Santa Marta de Portuzelo, foi idealizada para figurar como um dos atributos das mordomas da romaria, tendo servido assim um papel instrumental na capacitação e dignificação desta celebração junto das autoridades vianenses, num contexto de menor visibilidade e reconhecimento institucional. Atualmente, a vela continua a ser produzida pelos descendentes do autor da peça, mais precisamente pelo seu filho, Álvaro Fernandes de Sales Gomes, e o seu neto, Álvaro Miguel Gonçalves Sales Gomes. Estes artesãos desenvolvem o seu trabalho com orgulho, sentido de dever e generosidade, emprestando as velas produzidas às mordomas, a título gratuito, num autêntico serviço prestado à comunidade, ajudando assim a perpetuar esta tradição na memória coletiva local. A vela votiva de Santa Marta de Portuzelo distingue-se das usadas noutras romaria por ser idêntica para todas as mordomas, sendo devolvidas posteriormente à família Sales, que, depois de restauradas, e sempre que possível, as tornam a colocar em circulação no ano seguinte. O seu padrão estético uniforme, assim como a prática da reutilização, projetam as velas como um adereço de dimensão inegavelmente comunitário, com conotações identitárias do território onde nasceu. Deste modo, as mordomas da romaria têm vindo a empunhar a vela votiva não apenas como um símbolo da devoção da comunidade a Santa Marta, mas, igualmente, como um autêntico emblema identitário da freguesia a que pertencem, assim ajudando a dignificar, projetar e diferenciar este território no contexto regional.
Direção-Geral do Património Cultural Secretário de Estado da Cultura
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